PASSANDO A UM OUTRO EVANGELHO

Por: Pb. José Vicente Ferreira

No meio cristão há grande proliferação de doutrinas, boa parte embasada em interpretações equivocadas das Escrituras, deturpações das falas de Jesus, dos apóstolos, dos profetas, manipulações para atender a conveniências, entreter as multidões e obter poder sobre as massas, etc.

Milhares ou milhões de pessoas correm atrás de mensagens que lhes façam bem, que falem aos seus egos, que ofereçam a promessa de ausência de problemas, prosperidade, satisfação da vontade própria, enfim, buscam um evangelho que dê resultados conforme a perspectiva humana decaída, resultados esses que não implicam, necessariamente, em uma busca de salvação, em transformação de vida, em aperfeiçoamento do ser humano.

Assim, quando surge um "milagreiro" multidões se aglomeram dia após dia para ouvir o que ele tem a dizer, e tentar obter algum milagre. Não importa o que seja necessário fazer ou comprar, vale a pena "investir" para conseguir o tão almejado milagre, a solução de um problema, a "proteção divina", sucesso profissional, melhoria nas finanças, etc.

Se nas pregações ministradas pelos homens que comandam tais "espetáculos" fossem incluídas mensagens de arrependimento, quebrantamento, transformação de vida, seus templos se esvaziariam, pois embora as pessoas tenham sede, elas buscam apenas água natural, que mata a sede provisoriamente, e não a Água da Vida, aquela que, se alguém beber, nunca mais terá sede, e de seu interior fluirão rios de água viva.

Jesus teve que conviver com gente assim. Ele não os repeliu, ao contrário, manifestou misericórdia, curando os doentes, alimentando os famintos, embora eles estivessem à procura de milagres, sinais, comida...

Mas Jesus advertiu contra os falsos profetas. Ele disse que seria possível, sim, pessoas fazerem milagres e realizarem muitos sinais em Seu Nome, sem que isto implicasse em que a pessoa fosse realmente dEle. Assim, Jesus falou:

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." (Mt 7:21-23)

O próprio Juda Iscariotes, que posteriormente entregou Jesus a seus assassinos, estava no meio dos discípulos e havia recebido autoridade para expulsar demônios, realizar curas e sinais. Ele estava na comissão enviada por Jesus para pregar a Palavra do Reino. Alguém dirá que Judas era um verdadeiro discípulo de Jesus, que amava o Mestre e seguia a Palavra dEle? Alguém dirá que Judas era uma pessoa confiável, que falava da parte de Deus? Parece óbvio que não!

Judas tinha intenções políticas. Ele queria um rei que acabasse com o domínio do império romano sobre o povo judeu. Ele pensava em uma revolução, um levante contra o império. Ele não sabia o que era o Reino de Deus, e nem fazia parte desse Reino. Seu coração estava no reino da terra.

Assim como Judas, continuam existindo muitos que fazem sinais no nome de Jesus, gritam o nome de Jesus aos quatro ventos, nas praças, nos templos, nos estádios lotados, mas seus corações também não estão no Reino de Deus, e sim no reino da terra.

A vontade que tais homens pretendem realizar não é a vontade de Deus, mas a vontade dos homens. Assim, se as massas querem milagres e grandes manifestações sensoriais, é isso que se empenharão em fornecer ao seu público.

Salvação? Ora, a salvação não é a mensagem principal em suas mensagens. Importa que as pessoas os vejam como libertadores, quase no mesmo patamar de Jesus, talvez até com mais autoridade do que Ele (na cabeça deles, claro!). Importa que as pessoas se empolguem com seus "brados (berros) de poder", seus saltos e piruetas, seus malabarismos no púlpito, sua capacidade de conseguir uma hipnose coletiva e induzir o público a sensações que parecem ser manifestações do Espírito Santo, mas não passam se peças pregadas pelo espírito do homem.

Desta forma, multidões se arrastam atrás de um paganismo evangélico que não tem poder para restaurar vidas e transformar pessoas, mas serve apenas para alimentar crenças supersticiosas criadas pelo homem. Amuletos são vendidos (claro que não são vendido com o nome de amuletos), e os resultados das vendas ajudam a engordam as contas bancárias de "apóstolos", "bispos" e outras sumidades do engodo.

Tijolinhos, martelinhos, lenços ungidos pelo suor de algum mestre do ilusionismo evangélico, água de alguma poça formada pela chuva (dizem que é do Rio Jordão), lascas da cruz de Cristo (que, pelo jeito, era de alguma madeira incorruptível e maior do que o estádio do Maracanã, tantas as lascas que já foram vendidas após 2000 anos da morte de Jesus), chave da prosperidade, sal grosso ungido, e coisas do gênero.

Fazer a vontade do Pai ninguém quer. Entrar pela porta estreita, então, nem pensar! Arrependimento dos pecados é algo proibido de ser pregado. Amor a Deus e ao próximo? Isso é coisa do passado. E assim vai caminhando a humanidade, de paganismo em paganismo, cada vez mais para longe da vontade de Deus.

As pessoas se entragam a um outro evangelho, que não é aquele pregado por Jesus.

"Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou à graça de Cristo para um evangelho diferente. De fato, não há dois evangelhos: há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo." (Gálatas 1:6-7)

Que grande surpresa será quando, na volta de Cristo, muitos ouvirem dEle a sentença: "apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." As tentativas de argumentação serão inúteis, pois, como Jesus já disse, não são os muitos sinais maravilhosos feito em Seu Nome que credenciam alguém a adentrar aos portões do Reino dos Céus, mas sim o fazer a vontade do Pai, que está nos Céus.

Como saber qual a vontade do Pai? A Bíblia nos foi entregue para que tivéssemos um verdadeiro manual para a Vida. Ali está o que o Pai requer de nós, e o que Ele nos oferece. Ore e medite na Palavra de Deus, e deixe de correr atrás do vento, pois esse vento pode se tornar uma tempestade e engolir os imprudentes. Busque a Jesus, não para obter prosperidade ou uma vida sem dificuldades, mas para ser transformado em uma nova criatura e ser salvo no Dia da Ira.

Que YAHWEH abençoe sua vida, em Cristo Jesus.

(Extraído de www.nasprofundezasdasimplicidade.bllogspot.com).

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